quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Johnny 3 Tears fala sobre banda e a turnê (Parte 2)


   
   Confira abaixo a segunda e última parte da entrevista que Johnny 3 Tears deu para a revista SMNNews:

SMN: O seu novo single, “We Are”, tem um verso “We are made from broken parts.” Se você fosse um ciborg, quais partes seriam necessárias pra você?
J3T: Um coração e um cérebro, querida. Um cérebro de ciborg e bons braços. Eu gostaria de ter belos ​​tríceps, bíceps, deltoides... O robô é apenas uma ilustração. Uma imagem no espelho do que eu sou agora, mas em forma de robô, com algumas atualizações.

SMN: Vocês provavelmente devem estar cansados de responder isso, mas eu tenho que perguntar pelos fãs. Como foi trabalhar com Clown, do Slipknot?
J3T: Eu amo responder isso. Foi uma das experiências mais legais. Trabalhar com o Clown foi definitivamente diferente porque, em primeiro lugar, ele também está numa banda. Ele tem sido músico por obviamente um longo tempo e isso é legal por que ele entende o outro lado disso. Ele tem a perspectiva; foi compreensivo e conseguiu entender de onde estávamos vindo. Foi muito menos frustrante porque ele sabia o que ia acontecer antes de nós. Então a experiência foi muito mais tranquilo do que realmente é. Nós curtimos trabalhar juntos, ele é um visionário. Ele tinha ótimas ideias pros videoclipes e ele realmente fez tudo prazeroso de ser feito. Eu realmente apreciei a experiência e gostei muito do produto final, que foi o mais importante. Nós todos estamos muito felizes com isso.

SMN: É, ninguém gosta de ficar tocando as próprias músicas em instrumentos desplugados várias vezes.
J3T: É, tipo umas duzentas vezes seguidas. Os diretores dos videoclipes tem que fazer o que eles tem que fazer, o que é compreensível. Mas eles só pensam sobre o lado deles na coisa toda. Clown nos deixou confortáveis e ele entendeu o que estava acontecendo conosco, o que fez tudo ser mais tranquilo. Ele é simplesmente um cara muito legal. Ele é muito inteligente e foi um prazer ter conhecido ele, mesmo que só por alguns dias. Foi sua primeira vez dirigindo outro videoclipe sozinho. E se essa foi a sua primeira vez, eu consigo vê-lo indo mais longe no mundo. Ele tem um mundo de talentos atrás dele.

SMN: Eu tenho certeza que é mais fácil ter um diretor que compreende. Videoclipes são basicamente se apressar e esperar. Pior do que estar em turnê.
J3T:
Sim, normalmente é que videoclipes são, mas isso é o que foi mais legal nesse processo. Foi tudo muito tranquilo e nós somos realmente sortudos. Nós acabamos de finalizar o CD, a arte do álbum e a mixagem. E isso só aconteceu no fim de Novembro, então, na indústria musical isso é um pouco mais devagar. Se nós estivéssemos em turnê por um mês, tirássemos cinco dias de folga e em três desses dias tivéssemos que fazer um videoclipe, poderia ser um pé no saco, porque todo mundo quer ir para casa e relaxar por um minuto. Ver suas famílias, namoradas e tudo mais. Então, parte disso seria um trabalho. Mas nós fizemos isso numa época onde tínhamos horários disponíveis e terminamos um dia antes do Dia de Ação de Graças. Daí eu fui pra casa, comi o peru e depois descansei por alguns dias.

SMN: Não foi um Dia de Ação de Graças ruim.
J3T: Bem, na verdade eu odeio Ação de Graças. Eu sempre fico mal. Algo sobre carboidratos ou beber demais, eu não sei. É legal por 20 minutos e depois é um inferno por 20 horas.

SMN: Talvez você não possa mais comer como comia quando era mais novo.
J3T: Eu sei! Por que isso tinha que acontecer?

SMN: Eu não sei, conforme você vai passando dos 25, isso começa a piorar.
J3T: É nessa idade que piora? Bem, eu já passei dos 25, então eu devo estar profundamente na merda.

SMN: É, eu fui aprender o verdadeiro significado de “ressaca” quando eu tinha 27 anos.
J3T: [risos] Eu ganhei de você nessa. Além da banda, eu costumava trabalhar com coisas de construção em outros horários. Os ensaios da banda eram de noite, e nós tínhamos esses ensaios em um local divertido e eu costumava ficar chapado até umas quatro da manha e então acordava as sete para trabalhar, subia em telhados e isso nunca foi um problema. Hoje em dia, depois de 12 horas de sono eu acordo meio, “Uggghhhhh!”.

SMN: É, se eu tomar 6 cervejas hoje em dia eu não consigo funcionar no dia seguinte.
J3T: Bom, essa é a coisa legal de estar na estrada. Você acorda de ressaca e a primeira coisa que você faz é abrir uma garrafa de vinho e 20 minutos depois você já está pronto para enfrentar o resto do dia

SMN: Eu nunca tive tempo para me embebedar na estrada. Quando você faz parte da equipe de produção você não tem muito tempo para beber e aproveitar.
J3T: Bem, nós somos bem permissivos com a nossa equipe. Algumas pessoas são bem restritas, o que eu entendo. Especialmente em produções maiores, onde eles têm explosões pirotécnicas e coisas assim, você não quer nenhum membro da equipe de apoio bêbado.

SMN: Eu não sou tão chique. Eu só faço o merchandising. Mas eu sou a primeira a chegar e me arrumar, e a ultima a sair, então eu realmente não tenho tempo. Mas eu realmente adoro entrar em tour.
J3T: É, bom, eu não faria isso, mas você é paga para viajar. Definitivamente é um trabalho duro, mas sempre existem recompensas. Quando nós saímos em tour, nós tiramos dois dias da semana de férias, e é aí que o pessoal da equipe realmente fica louco. Eu vou para a cama e tento colocar o sono em dia e fazer meus exercícios. Aqueles caras saem e fazem merdas em todos os lugares e eu os vejo no lobby do hotel as 4 da manha, desmaiados. Mas, hey, é o dia de folga deles. Eles podem fazer o que quiserem. E nós temos muitos viciados em clubes de strip.

SMN: [risos] Eu sou mais calma. Hey, pera aí; Nós estamos fazendo uma entrevista aqui, certo? De qualquer modo, me conte algo sobre o seu novo álbum que você ainda não tenha contado a nenhum outro jornalista do planeta
J3T: Bom, nós acabamos de começar a dar entrevistas e eu ainda não estou tão cansado delas, mas em uma semana eu tenho certeza que eu estarei. O álbum fala por si mesmo, e eu realmente não tenho nada a mais para acrescentar.

SMN: Hm, ok. Então o que você está dizendo é “Saindo o CD, vá comprá-lo”?
J3T:  Ou o baixe ilegalmente. É tudo o mesmo para mim. Apenas o ouça e veja o que você acha. Se você não gostar, eu não me importo. Se você gostar, eu me importo

SMN: Fale um pouco sobre a próxima tour.
J3T:  Sabe, eu fiquei sabendo apenas dois dias atrás que nós sairíamos em tour em janeiro. Nós começamos em LA, são apenas duas semanas. São apenas em grandes cidades, e nós só iremos tocar em pequenos clubes. Mais ou menos como voltar aonde começamos, pelo menos por essa tour. Nós realmente gostamos da ideia; e nós tiramos essa ideia das bandas maiores do que nós, que nunca tem a chance de fazer isso mais. Você sabe, bandas como U2 tocam nessas arenas gigantescas – coisa que nós atualmente não podemos fazer – mas é daí que veio a ideia dessa tour. Vamos lá fora e fazemos essa coisa de vez em quando por um tempo, apenas para relembrar o motivo de ainda tocarmos. As bandas tocam em clubes pequenos apenas pela diversão. E nós vamos fazer isso no curto prazo – tocar nesses lugares com espaço para 500 pessoas, ou pequenos cinemas, e nos aproximar da nossa base de fãs novamente. Apenas fazer uma seqüência como essa antes de ter de voltar aos negócios e ter de pensar em números e essas coisas típicas de tours. Mas nós queríamos fazer isso para nos conectar com nossos fãs, passar um tempo com eles e conversar – ver onde eles estão, ver aonde nós chegamos nesses dois anos desde que lançamos nosso ultimo CD  E isso é sempre excitante; você nunca sabe quem vai encontrar nessas situações. É uma experiência única.

SMN:  Então eu vi no site de vocês que em Denver irão tocar no Bluebird. Eu já estive lá, trabalhando em uma tour
J3T:  Eu nunca nem ouvi falar desse lugar, e estou muito animado. É um bar sujo?

SMN: Não, é um velho teatro  com um toldo e um balcão. É muito legal.
J3T:  Isso é muito legal, porque esses lugares velhos tem sempre uma boa acústica.

SMN: Você disse em uma outra entrevista que o show em Denver foi um dos melhores shows seus de todos os tempos, porque todo mundo pulava no palco e as coisas saíram de controle
J3T:  Eu acho que o chamava The Marquis. Isso tá certo? A única coisa que eu lembro é que ficava logo do lado de onde os Rockies jogam, bem ao lado da rua. Eu sou um grande fã de baseball, então eu fui e dei uma olhada no campo. Eu não tenho certeza a respeito do nome do local, mas era meio no subúrbio da cidade. Nós já tocamos em alguns lugares por lá. Eu quase me mudei para lá. Não em Denver, mas outra cidade que eu não consigo lembrar o nome agora. Eu fui e dei uma olhada em umas casas, mas eu arreguei.

SMN: Bom, eu vou te dizer sobre esse bar-restaurante logo do outro lado da rua do Bluebird, e o sanduíche cubano deles é realmente bom. E eles tem uma boa seleção de cervejas artesanais e de micro cervejarias. Se chama “ The Goosetown Tavern” ou algo do gênero.
J3T:  Agora você está falando minha língua! Eu vou lembrar desse lugar agora.

SMN: Alem da musica, o que você faz para melhorar, ou piorar, a sociedade?
J3T:  Hm, eu pago meus impostos. Isso é o Maximo que eu faço para alterar as estruturas sociais.  Eu moro num bairro. E é isso. É aí que eu defino meus limites normalmente. Eu não saio muito, e normalmente só me enterro na minha casa, tendendo a manter a minha distancia. Quando eu saio pela porta da frente para pegar minha correspondência ou fumar um cigarro, eu olho pelo olho-mágico antes. Essa é a triste verdade.

SMN: Eu te entendo completamente. Então, se você pudesse escolher alguma outra banda e roubar toda a base de fãs deles, qual você roubaria?
J3T:  Acho que do Avenged Sevenfold. A base de fãs dele é grande, mas ela também é muito dedicada. Eles tem um exercito os apoiando. Nós saímos em tour umas duas vezes com eles e eu tive inveja do tanto que os garotos gostam deles, mas pelas boas razoes. Eles são muito dedicados; eles sabem cada palavra de cada música e coisas do gênero.

SMN: Eu iria querer os fãs do Slayer
J3T:  Serio? Kerry King mora logo no fim da minha rua.

SMN: É que essa é a música que eu ouço! Eu amo! Mas as vezes os fãs vaiam as bandas que abrem os shows, então eles podem ser legais ou maus.
J3T:  É um pouco pesada pra mim. Mas a única vez que fomos vaiados foi na Alemanha, em um festival.  Mas nós brincamos com isso. Se você ficar realmente chateado com isso, então você está fodido até o pescoço, porque eles se alimentam disso. Tudo o que você tem de fazer é antagonizar de volta à eles, e ao fim do show, eles estavam aplaudindo, tipo “Ok, nós xingamos eles e eles agüentaram”.  Mas algumas pessoas ficam realmente chateadas nessas situações. Entre cada uma das músicas, nós falamos merdas horrendas para eles, e eventualmente eles perceberam que nós éramos ok. Essa é a chave. E os festivais por lá são enormes! Os americanos são pequeninos. Na Europa, eles fecham tipo, 80 km² e é uma loucura. São umas duzentas bandas, e umas duzentas, trezentas mil pessoas. E então nós abrimos pro Faith No More, e todo tipo de banda toca.

SMN: Sim, mas os Europeus realmente gostam de Power metal, Manowar, ou Volbeat.          
J3T: Isso, ou gostam de “Euro electronica”, mas nos damos realmente bem na Europa. Nós somos meio que sortudos com isso. E eu já ouvi falar de Volbeat.

SMN: Legal. Bom, muito obrigado pelo seu tempo, você foi muito generoso com isso.                       
J3T: Obrigado! E eu definitivamente tenho que ouvir Volbeat.

Nenhum comentário:

Postar um comentário